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Jejum e cancro da mama: o que mostra realmente a evidência?

2026-09-17

Jejum e cancro da mama: o que mostra realmente a evidência?

Jejum e cancro da mama: o que a investigação revela sobre a terapêutica hormonal e a resistência ao tratamento

A ideia de que o jejum pode ajudar no tratamento do cancro da mama tem despertado interesse, mas a investigação disponível exige prudência.

Cerca de 7 em cada 10 cancros da mama crescem sob o estímulo de hormonas como o estrogénio. Nestes casos, a terapêutica hormonal, como o tamoxifeno, é um tratamento de referência. Com o tempo, porém, alguns tumores podem deixar de responder ao tratamento.

Investigações realizadas ao longo dos últimos anos observaram que associar ciclos de jejum à terapêutica poderia reforçar o seu efeito e atrasar a resistência. Um estudo recente procurou perceber porquê.

O mecanismo por detrás do jejum

Durante o jejum, diminuem os níveis de glucose e insulina e aumentam hormonas como o cortisol e a progesterona. Estas hormonas ativam, sobretudo, o recetor dos glucocorticoides, que poderá tornar as células tumorais mais sensíveis à terapêutica hormonal.

Os investigadores verificaram que, ao bloquear este recetor, o benefício observado desaparecia. Quando o ativavam através de um fármaco, sem jejum, o efeito voltava a surgir.

Isto sugere que o mais relevante poderá não ser o jejum em si, mas o mecanismo biológico que este ativa.

O que está demonstrado em pessoas?

É aqui que importa ter cautela. A maior parte da evidência resulta de modelos pré-clínicos, culturas celulares e estudos em animais. Os dados disponíveis em pessoas são ainda preliminares e limitados.

Até ao momento, não existe evidência robusta de que o jejum melhore os resultados da terapêutica hormonal ou atrase a resistência em pessoas com cancro da mama.

Além disso, a restrição alimentar durante o tratamento oncológico pode implicar riscos, nomeadamente desnutrição e perda de massa muscular.

A descoberta é, por isso, uma pista relevante para investigação e não uma recomendação terapêutica. Se o mecanismo vier a confirmar-se em pessoas, o interesse poderá estar precisamente em conseguir reproduzir o efeito através de medicamentos, sem necessidade de recorrer ao jejum.

Fonte: https://aim.clinic

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