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Durante muitos anos, difundiu-se a ideia de que os implantes mamários deveriam ser substituídos automaticamente ao fim de 10 anos. No entanto, este prazo não se baseia em evidência científica nem corresponde a uma obrigação legal.
Segundo Éric Plot, antigo presidente da Sociedade Francesa de Cirurgiões Plásticos e Estéticos (Sofcep), a referência aos 10 anos surgiu na década de 1990, numa altura em que as garantias dos fabricantes estavam limitadas a esse período. Por precaução e proteção legal, os cirurgiões acabaram por adotar o mesmo prazo.
Entretanto, a tecnologia dos implantes evoluiu, nomeadamente ao nível das camadas que envolvem o silicone, contribuindo para aumentar a sua durabilidade.
Os dados apresentados pela Sofcep indicam que as complicações são pouco frequentes, situando-se em cerca de 2% a 3%. Aos 10 anos, quase 90% dos implantes continuam intactos.
A deterioração tende a ocorrer de forma lenta e gradual. Mesmo quando existe uma rutura, esta é frequentemente assintomática e, segundo o especialista, geralmente não existe necessidade de substituir o implante com urgência.
Por esse motivo, não é defendida uma substituição sistemática aos 10 anos quando está tudo clinicamente bem. Entre os motivos mais comuns para uma substituição encontra-se a decisão da própria pessoa por razões estéticas. Alterações de peso, gravidez e envelhecimento natural também podem influenciar o resultado estético ao longo do tempo.
Em vez da substituição por rotina, é destacada a importância do acompanhamento clínico regular e da realização de ecografias, permitindo identificar precocemente possíveis alterações.
Éric Plot recomenda uma ecografia um ano após a cirurgia, novamente aos três ou quatro anos e, a partir dos oito a dez anos, acompanhamento anual ou, pelo menos, de dois em dois anos. O especialista salienta, contudo, que não existem atualmente orientações rígidas em França sobre estes intervalos.
Alguns implantes podem permanecer durante 15, 20 anos ou mais. Ainda assim, é aconselhado que seja considerada a possibilidade de uma substituição futura, incluindo pelas implicações práticas e financeiras que esta poderá representar.
Assim, os dados apresentados não sustentam uma “data de validade” universal de 10 anos. A vigilância regular, e não a substituição automática, assume um papel central no acompanhamento dos implantes mamários.
VOLTARFonte: https://www.medscape.com/viewarticle/breast-implants-routine-10-year-exchange-needed-2026a1000nit
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