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Cuidar, ensinar e investigar: os desafios dos Centros Clínicos Universitários

2026-09-02

Cuidar, ensinar e investigar: os desafios dos Centros Clínicos Universitários

Centros Clínicos Universitários: um novo modelo para integrar cuidados de saúde, ensino e investigação e impulsionar a inovação no SNS.

Num contexto de crescente exigência para os sistemas de saúde, os Centros Clínicos Universitários (CCU) surgem como uma oportunidade para reforçar a ligação entre a prestação de cuidados, o ensino e a investigação.

A criação destas estruturas é apresentada como uma evolução dos atuais hospitais universitários e como uma oportunidade estratégica para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), através de uma maior articulação entre hospitais, universidades e escolas médicas.

Um modelo integrado de cuidados, ensino e investigação

A proposta dos Centros Clínicos Universitários assenta na concentração de funções de elevada diferenciação clínica em hospitais universitários ou com forte ligação académica.

O objetivo é criar um modelo no qual os mesmos profissionais participem nas dimensões assistencial, académica e científica, aumentando a capacidade de inovação clínica, a realização de ensaios clínicos e a transferência do conhecimento científico para a prática assistencial.

Esta aproximação pretende também contribuir para a formação de melhores profissionais, para o desenvolvimento de investigação de elevada qualidade e para cuidados de saúde cada vez mais inovadores e centrados no doente.

Responder aos novos desafios da saúde

O envelhecimento da população, o aumento das doenças crónicas, a necessidade de atrair profissionais e a rápida evolução tecnológica tornam necessário desenvolver modelos organizacionais capazes de potenciar o conhecimento e a inovação.

Neste contexto, os CCU são apresentados como uma resposta alinhada com práticas internacionais, favorecendo novas abordagens terapêuticas, a transferência mais rápida do conhecimento para a prática clínica e a formação contínua dos profissionais de saúde.

O sucesso deste modelo depende, contudo, de vários fatores: uma governação clara, financiamento adequado, objetivos comuns entre as instituições e mecanismos transparentes de avaliação de resultados. A colaboração interdisciplinar e a manutenção do doente no centro das decisões são igualmente consideradas fundamentais.

O exemplo da ULS de Santa Maria

A ULS de Santa Maria encontra-se numa posição privilegiada para evoluir para um Centro Clínico Universitário, uma vez que o Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML) já reúne a ULS Santa Maria, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular e a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa.

Esta proximidade facilita a circulação de profissionais, estudantes e investigadores e reduz as barreiras entre a atividade clínica e a investigação. Está também prevista a criação de Hubs estratégicos nas áreas de Formação Clínica, Investigação Clínica, Medicina de Precisão, Cuidados Híbridos e Inteligência Artificial.

Cinco desafios para a transformação

A evolução para um verdadeiro Centro Clínico Universitário implica cinco mudanças principais: passar de uma parceria institucional para uma governação única e integrada; integrar plenamente as missões assistencial, académica e científica; desenvolver um planeamento estratégico comum; criar um modelo próprio de financiamento dedicado ao ensino, investigação e inovação; e promover carreiras académicas e clínicas mais integradas.

O objetivo é consolidar um modelo capaz de aproximar ainda mais cuidados de saúde, ensino e investigação, reforçando a colaboração entre instituições e criando condições para a inovação e para a melhoria dos cuidados prestados.

Fonte: https://expresso.pt/opiniao/2026-07-29-cuidar-ensinar-e-investigar-desafios-para-a-missao-dos-centros-clinicos-universitarios-2cef5db8

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