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2026-07-29
A omissão da biópsia do gânglio sentinela em determinadas mulheres com cancro da mama precoce poderá estar a tornar-se uma prática cada vez mais frequente. Dados apresentados na Miami Breast Cancer Conference 2026 mostram uma adoção gradual desta abordagem em mulheres com 70 ou mais anos, com cancro da mama em estádio inicial, recetor hormonal positivo (HR+) e HER2 negativo, sem envolvimento clínico dos gânglios linfáticos.
Os investigadores destacam, contudo, que a implementação destas recomendações continua a ser progressiva e que muitas doentes elegíveis ainda são submetidas ao procedimento.
Em 2016, a iniciativa Choosing Wisely, da Society of Surgical Oncology, passou a recomendar que a biópsia do gânglio sentinela não fosse realizada de forma rotineira em mulheres com 70 ou mais anos com cancro da mama invasivo precoce, HR positivo, HER2 negativo e sem evidência clínica de envolvimento ganglionar.
Esta recomendação baseia-se em ensaios clínicos aleatorizados que demonstraram não existir desvantagem em termos de sobrevivência quando a biópsia é omitida nestas doentes, mantendo-se igualmente baixas as taxas de recorrência na axila.
Uma análise realizada pelo sistema de saúde Main Line Health, nos Estados Unidos, avaliou 364 doentes que preenchiam os critérios para omitir a biópsia do gânglio sentinela.
Entre 2021 e 2023, a taxa de omissão mais do que duplicou, passando de 28% para 61%.
Em paralelo, a realização da biópsia diminuiu de 72% em 2021 para 39% em 2023 nas doentes elegíveis.
Segundo os investigadores, a idade mais avançada e um ano de diagnóstico mais recente foram fatores associados à omissão da biópsia, enquanto uma idade mais jovem e diagnósticos realizados em anos anteriores estiveram associados à sua realização.
Os resultados observados neste sistema de saúde estão de acordo com outros estudos realizados nos Estados Unidos, que apontam para uma redução gradual da utilização da biópsia do gânglio sentinela após a publicação das recomendações de 2016.
Ainda assim, muitos casos continuam a ser tratados segundo a abordagem tradicional.
Uma análise anterior baseada na National Cancer Database mostrou que a utilização da biópsia diminuiu entre 87% em 2012 e 81% em 2019 nas doentes elegíveis.
O mesmo estudo verificou que os centros académicos e os hospitais de maior volume apresentavam maior probabilidade de omitir o procedimento, enquanto essa prática era menos frequente em unidades comunitárias e em algumas regiões dos Estados Unidos.
Outros estudos apresentados pelos investigadores reforçam que a adoção das recomendações permanece incompleta.
Num estudo independente, 79% das mulheres elegíveis continuaram a ser submetidas à cirurgia dos gânglios linfáticos entre 2017 e 2020.
Outra investigação concluiu que, em 2021, cerca de 69% das doentes que preenchiam critérios para uma abordagem menos invasiva continuaram a realizar a biópsia do gânglio sentinela.
William Bradford Carter, cirurgião oncológico da mama e um dos autores da análise, considera que a adoção destas recomendações exige tempo.
Segundo o especialista, qualquer alteração na prática clínica necessita de um período de adaptação até que a informação seja amplamente divulgada e exista confiança de que os resultados obtidos correspondem ao esperado.
Ainda assim, considera que, ao longo da última década, tem existido uma tendência consistente para a redução da intensidade dos tratamentos.
O especialista refere também que, nas reuniões multidisciplinares dedicadas ao cancro da mama, é cada vez mais frequente discutir se determinadas intervenções continuam realmente a ser necessárias ou se é possível reduzir procedimentos mantendo resultados semelhantes.
Os dados apresentados sugerem que a omissão da biópsia do gânglio sentinela está a ganhar espaço em mulheres cuidadosamente selecionadas com cancro da mama precoce.
Apesar desta evolução, os investigadores sublinham que muitas doentes elegíveis continuam a ser submetidas ao procedimento, indicando que a implementação das recomendações permanece gradual e que a decisão deve continuar a ser individualizada, de acordo com os critérios clínicos estabelecidos.
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