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Suplementos orais de vitamina B12 podem oferecer uma nova forma de prevenir a síndrome mão-pé, um efeito secundário frequente da quimioterapia com capecitabina, de acordo com os resultados de um ensaio clínico.
O estudo de fase 3, realizado em sete hospitais na China, mostrou que a suplementação diária com vitamina B12 reduziu para metade a taxa de síndrome mão-pé de grau 2 ou superior em mulheres a receber capecitabina em contexto adjuvante para cancro da mama em estadio inicial. Além disso, não houve indícios de aumento da toxicidade da quimioterapia nem de efeitos adversos específicos associados à vitamina, segundo relataram os investigadores na BMJ.
Os resultados são “bastante impressionantes”, afirmou Eleonora Teplinsky, MD, diretora de Oncologia Médica da Mama e Ginecológica no Valley-Mount Sinai Comprehensive Cancer Care, em Paramus, Nova Jérsia, e especialista em cancro da mama da American Society of Clinical Oncology.
Teplinsky, que não participou no estudo, salientou que a síndrome mão-pé pode ser altamente incapacitante, afetando de forma significativa a qualidade de vida das doentes e levando frequentemente à redução da dose ou à interrupção do tratamento com capecitabina.
“Embora [a vitamina B12] não tenha eliminado completamente a síndrome mão-pé, reduzir a gravidade dos casos de grau 2 ou superior é clinicamente muito relevante”, afirmou Teplinsky ao Medscape Medical News.
A síndrome mão-pé afeta até 73% dos doentes tratados com capecitabina, um fármaco de quimioterapia oral amplamente utilizado no tratamento dos cancros colorretal e da mama. Enquanto os casos de grau 1 são geralmente autolimitados — com eritema e sensação de formigueiro ou dormência nas palmas das mãos e plantas dos pés —, as formas mais graves são dolorosas, interferem com as atividades diárias e podem evoluir para bolhas hemorrágicas e úlceras.
A fisiopatologia da síndrome mão-pé ainda não está totalmente esclarecida, mas estudos sugerem o envolvimento de uma neuropatia de pequenas fibras. A metilcobalamina, uma forma da vitamina B12, é amplamente utilizada na Ásia no tratamento de neuropatias periféricas. Com base nisso, a equipa de investigação liderada por Yuan Xia, da Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, na China, levantou a hipótese de que a vitamina poderia ajudar a prevenir a síndrome mão-pé.
Para testar essa hipótese, os investigadores recrutaram 234 doentes com cancro da mama em estadio inicial, HER2-negativo, que iriam iniciar tratamento com capecitabina. As participantes foram randomizadas para receber metilcobalamina oral, na dose de 0,5 mg três vezes por dia, ou placebo, durante um período máximo de 24 semanas. Esta dose é substancialmente superior à ingestão diária recomendada de vitamina B12 para adultos, mas está de acordo com as doses habitualmente utilizadas no tratamento de neuropatias, segundo a equipa de Xia.
As doentes foram avaliadas quanto ao desenvolvimento de síndrome mão-pé a cada três semanas, até à conclusão do oitavo ciclo de capecitabina ou à desistência do estudo.
No total, a síndrome mão-pé de grau 2 ou superior ocorreu em 17 (14,5%) das 117 doentes do grupo da vitamina B12, em comparação com 34 (29,1%) das 117 doentes do grupo placebo (diferença de risco: −14,5%; P = 0,003). Os casos de grau 1, por sua vez, foram numericamente mais frequentes no grupo da vitamina B12 (36,8% vs. 28,2% no grupo placebo).
Em termos de segurança, ambos os grupos apresentaram uma incidência semelhante de outros eventos adversos durante a quimioterapia (75,2% no grupo da vitamina B12 e 81,2% no grupo placebo), sendo os mais comuns a linfopenia, a leucopenia e a anemia. Não houve qualquer sinal de que a vitamina B12 tenha aumentado a toxicidade da quimioterapia — um dado considerado particularmente importante por Teplinsky.
Até recentemente, a única intervenção com eficácia comprovada na prevenção da síndrome mão-pé era o anti-inflamatório oral celecoxib (Celebrex), mas a sua utilização era limitada devido a preocupações de segurança.
Há cerca de dois anos, contudo, o ensaio D-TORCH demonstrou que o gel de diclofenac, um medicamento amplamente utilizado no tratamento da dor associada à osteoartrose, reduziu a incidência da síndrome mão-pé em 75%. Este resultado foi considerado “transformador da prática clínica”, uma vez que o diclofenac tópico é usado de forma segura há muitos anos e está amplamente disponível como genérico de baixo custo.
Segundo Teplinsky, a vitamina B12 poderá agora representar mais uma opção “simples” e acessível para as doentes.
“Acho que consideraria claramente esta abordagem”, afirmou. “Estamos sempre à procura de intervenções de suporte que possam ajudar.”
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