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Estilo de vida saudável reduz o risco de mortalidade em sobreviventes de cancro

2026-04-08

Estilo de vida saudável reduz o risco de mortalidade em sobreviventes de cancro

Estudo revela que hábitos saudáveis após o diagnóstico de cancro aumentam a esperança de vida e reduzem significativamente o risco de mortalidade.

Manter um estilo de vida saudável após um diagnóstico de cancro tem um impacto claramente positivo na esperança de vida, de acordo com um grande estudo prospetivo de base populacional que envolveu mais de 6000 sobreviventes de cancro.

Investigadores do Centro Alemão de Investigação do Cancro (DKFZ), em Heidelberg, Alemanha, relataram que a adesão a recomendações-chave de estilo de vida continua fortemente associada a uma menor mortalidade, mesmo anos após o diagnóstico, com implicações diretas na abordagem clínica ao acompanhamento de sobreviventes de cancro.

Os resultados, publicados no European Journal of Epidemiology, demonstraram que indivíduos diagnosticados com cancro há pelo menos 5 anos, que não fumavam, praticavam exercício físico regularmente e mantinham um peso corporal saudável, viviam, em média, significativamente mais tempo do que outros sobreviventes de longo prazo com hábitos menos saudáveis.

Em declarações à edição alemã do Medscape, Volker Arndt, PhD, responsável pelo Grupo de Investigação em Sobrevivência ao Cancro do DKFZ e diretor do Registo Epidemiológico de Cancro de Baden-Württemberg, afirmou: “Muitos doentes perguntam, após concluírem o tratamento, o que podem ainda fazer pela sua saúde. O nosso estudo dá uma resposta encorajadora: fatores como não fumar, manter atividade física suficiente e um peso saudável continuam a ser importantes a longo prazo.”

Fatores de estilo de vida

A equipa de investigação, liderada por Melissa Thong, PhD, analisou dados de 6057 indivíduos com idade média de 69 anos, diagnosticados com cancro da mama, da próstata ou colorretal há pelo menos 5 anos. O intervalo médio desde o diagnóstico inicial era de 8 anos. O objetivo foi analisar a relação entre fatores individuais e combinados de um estilo de vida saudável e a mortalidade em sobreviventes de longo prazo.

Os participantes integraram o estudo CAESAR, um estudo multicêntrico iniciado em 2008 em seis regiões da Alemanha: Bremen, Hamburgo, Renânia do Norte-Vestfália, Renânia-Palatinado, Sarre e Schleswig-Holstein. As mulheres representaram 52,1% da amostra.

Entre os participantes, 2654 tinham histórico de cancro da mama, 2186 de próstata e 1212 de cancro colorretal.

Entre 2009 e 2011, os participantes responderam a questionários sobre quatro fatores de estilo de vida: tabagismo, consumo de álcool, peso corporal e atividade física. A alimentação não foi avaliada.

Pontuação global

Cada fator foi pontuado de acordo com as recomendações do World Cancer Research Fund e do American Institute for Cancer Research. A adesão total correspondia a 1 ponto, adesão parcial a 0,5 pontos e ausência de adesão a 0 pontos, permitindo uma pontuação total entre 0 e 4.

Com base nos resultados, os participantes foram classificados em três grupos:

  • 3–4 pontos: estilo de vida saudável (42,5%)
  • 2,5 pontos: intermédio (23,3%)
  • 0–2 pontos: estilo de vida não saudável (34,2%)

O estado vital foi acompanhado até ao final de 2021, com um período máximo de seguimento de 12,3 anos. Durante esse período, registaram-se 2015 mortes.

Apesar de a alimentação não ter sido incluída, os autores reconhecem o seu papel relevante e sugerem que estudos futuros avaliem também fatores como dieta, qualidade do sono, sedentarismo e alterações no estilo de vida ao longo do tempo.

Segundo Arndt, “um dos pontos fortes deste estudo é o elevado número de sobreviventes e o longo período de acompanhamento”, permitindo uma análise robusta da relação entre estilo de vida e mortalidade. “Ao contrário de muitos estudos anteriores, analisámos a interação entre vários fatores, aproximando-nos mais da realidade das pessoas.”

Resultados sobre mortalidade

Comparando com participantes com estilo de vida não saudável, a taxa de mortalidade foi 27% e 32% inferior nos grupos com estilo de vida intermédio e saudável, respetivamente.

A associação entre comportamentos saudáveis e menor mortalidade foi consistente em diferentes idades, sexos e tipos de cancro, independentemente da presença de outras doenças crónicas, como patologias metabólicas e cardiovasculares.

“O estilo de vida saudável não só ajuda a prevenir o cancro, como também faz uma diferença significativa após o diagnóstico”, destacou Arndt.

O tabagismo foi o fator com maior impacto: pessoas que nunca fumaram apresentaram menos 49% de mortes comparativamente a fumadores atuais. Quem deixou de fumar teve uma redução de 29%.

A atividade física esteve associada a uma redução de 22% na mortalidade entre os níveis mais altos e mais baixos de atividade. Um índice de massa corporal saudável associou-se a uma redução de 13%.

Os resultados relativos ao álcool foram menos consistentes. Embora um consumo reduzido parecesse inicialmente benéfico, essa associação perdeu relevância após ajustes para outros fatores. Arndt sublinhou que, na prática clínica, o foco deve estar no conjunto de hábitos e não em fatores isolados.

“Ficámos surpreendidos com a consistência da ligação entre estilo de vida saudável e menor mortalidade, mesmo muitos anos após o diagnóstico”, afirmou. “Isto mostra que comportamentos promotores de saúde continuam a ser relevantes, mesmo em fases da vida em que muitas pessoas subestimam o seu impacto.”

Cuidados na sobrevivência ao cancro

Segundo os investigadores, mais de 5 milhões de pessoas na Alemanha vivem após um diagnóstico de cancro, sendo que mais de dois terços sobrevivem mais de 5 anos. No entanto, a maioria não cumpre totalmente as recomendações de estilo de vida saudável.

A não adesão é mais frequente em homens, pessoas com menor nível de escolaridade, sem parceiro estável e com comorbilidades.

“Com o aumento contínuo do número de sobreviventes, torna-se essencial pensar em conjunto na vigilância clínica e na prevenção”, afirmou Arndt.

Um estilo de vida saudável pode melhorar significativamente a saúde a longo prazo desta população.

“No entanto, é importante reforçar que o estilo de vida não substitui o tratamento médico e que ninguém deve ser responsabilizado pela doença”, concluiu. “Os nossos resultados mostram que pequenas mudanças no dia a dia podem ajudar a melhorar as perspetivas de saúde a longo prazo.”

Fonte: https://www.medscape.com/viewarticle/healthy-lifestyle-lowers-cancer-survivor-mortality-risk-2026a10005p4

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