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Um estudo publicado no JAMA Network Open, intitulado “Physical Health Decline After Chemotherapy or Endocrine Therapy in Breast Cancer Survivors”, trouxe novos dados sobre os efeitos físicos a longo prazo associados aos tratamentos do cancro da mama.
Está amplamente demonstrado, sem controvérsia, que a quimioterapia e a terapêutica hormonal aumentam a sobrevivência no cancro da mama. Quer em contexto metastático, quer no tratamento adjuvante, múltiplos ensaios clínicos aleatorizados de fase 3, realizados ao longo de várias décadas, confirmaram benefícios claros na sobrevivência das doentes.
Actualmente, muitas mulheres vivem durante mais tempo após o diagnóstico de doença avançada e, no caso da terapêutica adjuvante, espera-se frequentemente uma esperança de vida próxima do normal. Neste contexto, torna-se fundamental compreender os efeitos prolongados destes tratamentos na saúde física e na qualidade de vida.
Embora já existam diversos estudos sobre o tema, esta investigação destaca-se por fornecer dados relevantes que podem ajudar a informar mulheres que irão iniciar quimioterapia ou terapêutica endócrina.
O estudo
A análise baseou-se no Cancer Prevention Study-3, um estudo de coorte prospectivo realizado nos Estados Unidos, que incluiu participantes de 35 estados, do Distrito de Columbia e de Porto Rico. As participantes foram acompanhadas entre 2006 e 2013.
Um aspecto importante deste trabalho foi a valorização dos resultados reportados pelas próprias doentes (patient-reported outcomes), recolhidos prospectivamente ao longo do estudo.
Foram incluídas 2566 mulheres com cancro da mama, comparadas com 12.826 mulheres sem diagnóstico de cancro, emparelhadas por idade. Entre as mulheres com cancro da mama:
Os investigadores compararam a evolução da saúde física e da qualidade de vida destas mulheres com a do grupo sem cancro.
Principais resultados
Em comparação com as mulheres sem cancro da mama, tanto a terapêutica endócrina como a quimioterapia estiveram associadas a um maior declínio da saúde física nos primeiros dois anos após o diagnóstico.
Tal como seria esperado, o impacto foi mais acentuado nas mulheres submetidas a quimioterapia do que naquelas tratadas apenas com terapêutica hormonal.
No caso da terapêutica endócrina, o declínio observado esteve sobretudo associado ao uso de inibidores da aromatase. Foram estes fármacos que mais influenciaram negativamente os indicadores de saúde reportados pelas doentes durante os primeiros dois anos, embora com um impacto inferior ao observado com a quimioterapia.
No entanto, um dos achados mais relevantes do estudo surgiu na avaliação a longo prazo. Após os primeiros dois anos, as mulheres tratadas com terapêutica endócrina deixaram de apresentar diferenças significativas no estado geral de saúde em comparação com as mulheres sem cancro.
Já nas mulheres submetidas a quimioterapia, persistiu uma redução do estado de saúde além dos dois anos, possivelmente relacionada com efeitos secundários duradouros, como neuropatia periférica e outras sequelas do tratamento.
Implicações clínicas
Os resultados reforçam a importância de discutir não apenas os benefícios dos tratamentos oncológicos, mas também os seus potenciais efeitos físicos prolongados.
Ao mesmo tempo, estes dados permitem transmitir uma mensagem mais equilibrada às mulheres que necessitam de terapêutica hormonal: embora possa existir impacto na qualidade de vida nos primeiros anos — sobretudo com inibidores da aromatase — esse efeito tende a não persistir a longo prazo.
Por outro lado, os efeitos físicos associados à quimioterapia podem prolongar-se durante mais tempo, sublinhando a necessidade de estratégias de prevenção, monitorização e reabilitação.
São necessários mais estudos e novas análises para aprofundar o conhecimento sobre estas consequências a longo prazo. Ainda assim, este trabalho fornece informação valiosa para apoiar decisões terapêuticas e melhorar o aconselhamento das mulheres com cancro da mama.
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