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Um estudo internacional com quase 2 milhões de pessoas sugere que dietas sem carne podem ajudar a prevenir vários tipos de cancro — embora também tenha revelado algumas conclusões inesperadas.
Naquela que os investigadores descrevem como a maior meta-análise alguma vez realizada sobre dietas sem carne e risco de cancro, verificou-se que, em comparação com consumidores de carne, os vegetarianos apresentavam menor risco para cinco tipos de cancro, incluindo mama, próstata e pâncreas. Estes resultados foram independentes de fatores como atividade física, peso corporal, hábitos tabágicos, consumo de álcool e historial clínico.
“Este estudo é uma excelente notícia para quem segue uma dieta vegetariana, uma vez que apresenta menor risco para cinco tipos de cancro, alguns bastante prevalentes na população”, afirmou a autora principal, Yashvee Dunneram, PhD, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido.
A análise, publicada no British Journal of Cancer, reuniu dados de nove estudos observacionais realizados no Reino Unido, Estados Unidos, Índia e Taiwan. No total, foram incluídos mais de 1,8 milhões de participantes, acompanhados durante uma mediana de 16 anos, com base em questionários detalhados sobre estilo de vida e fatores de saúde.
Embora a maioria fosse omnívora, o estudo incluiu mais de 63.000 vegetarianos. Em comparação com quem consumia carne, os vegetarianos apresentaram menor risco de:
Por outro lado, os vegetarianos não apresentaram menor risco de cancro colorretal, um resultado que contrasta com evidência robusta que associa o consumo elevado de carnes vermelhas e processadas a um maior risco desta doença, enquanto alimentos ricos em fibra têm efeito protetor.
A equipa de investigação admitiu ter ficado surpreendida com este resultado. No entanto, salientou que o consumo de carne processada nos estudos analisados era relativamente baixo (cerca de 16 g por dia), inferior ao observado em populações como a do Reino Unido.
Especialistas externos sugerem que agrupar todos os consumidores de carne, independentemente da quantidade consumida, pode ter diluído os efeitos protetores das dietas vegetarianas.
Outro dado inesperado foi o facto de os vegetarianos apresentarem quase o dobro do risco de carcinoma espinocelular do esófago. Os investigadores admitem que este resultado pode estar relacionado com possíveis défices nutricionais, nomeadamente de riboflavina (vitamina B2), presente sobretudo em alimentos de origem animal.
Ainda mais surpreendente, os veganos — que excluem todos os produtos de origem animal — apresentaram um risco 40% superior de cancro colorretal em comparação com consumidores de carne. Uma possível explicação poderá ser a menor ingestão de cálcio, frequentemente associado a menor risco deste tipo de cancro.
No entanto, os investigadores alertam que o número de veganos incluídos foi relativamente reduzido, sendo necessários mais estudos com amostras maiores para confirmar estes resultados.
De forma geral, os autores concluem que dietas sem carne podem contribuir para a redução do risco de cancro, mas salientam a importância de garantir a ingestão adequada de certos nutrientes, através de alimentos fortificados ou suplementos.
O estudo apresenta algumas limitações, incluindo a baixa representatividade de determinados grupos populacionais e o facto de se tratar de investigação observacional, onde fatores como o peso corporal — geralmente mais baixo em vegetarianos — podem influenciar os resultados.
Ainda assim, os dados reforçam recomendações já amplamente aceites, que promovem uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal, como cereais integrais, frutas, legumes, frutos secos e leguminosas, e a redução do consumo de carne, especialmente carne vermelha e processada.
Além disso, o estudo sugere benefícios mesmo com uma redução parcial do consumo de carne. Por exemplo, pessoas que consomem peixe mas não carne (pescetarianos) apresentaram menor risco de vários tipos de cancro, e homens que consomem apenas aves (sem carne vermelha ou processada) tiveram menor risco de cancro da próstata.
Segundo os especialistas, nunca é tarde para adotar hábitos alimentares mais saudáveis, sendo que mudanças na dieta podem trazer benefícios rápidos, como redução do peso e melhoria dos níveis de colesterol.
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