Torne-se associado - Apoie esta causa nobre

Exercício físico pode melhorar a sobrevivência em vários tipos de cancro

2026-04-17

Exercício físico pode melhorar a sobrevivência em vários tipos de cancro

Estudo revela que a atividade física após o diagnóstico de cancro pode reduzir o risco de mortalidade em vários tipos da doença.

A prática regular de exercício físico após o diagnóstico de cancro da mama, próstata ou cólon tem sido associada a uma maior sobrevivência — e novos dados sugerem que o mesmo poderá aplicar-se a sete tipos de cancro menos estudados.

Uma análise conjunta de seis estudos de coorte revelou que níveis mais elevados de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, realizada no tempo livre após o diagnóstico, estão associados a um menor risco de mortalidade por cancro entre sobreviventes de cancro da bexiga, endométrio, pulmão e ovário. Os benefícios foram observados mesmo em níveis de atividade inferiores às recomendações atuais.

A prática de exercício em níveis iguais ou superiores às recomendações esteve associada a um menor risco de mortalidade por cancro em sobreviventes de cancro oral, retal e do ovário, comparativamente à ausência de atividade física, embora nem todas as associações tenham sido estatisticamente significativas. Resultados semelhantes foram observados em sobreviventes de cancro do rim, ainda que sem significância estatística.

Além disso, sobreviventes de cancro do pulmão e do reto que passaram a cumprir as recomendações de atividade física após o diagnóstico apresentaram menor risco de mortalidade, mesmo que anteriormente não fossem fisicamente ativos.

Os autores reconhecem, contudo, a possibilidade de causalidade inversa — ou seja, doentes com pior estado de saúde poderão ser menos ativos devido à própria doença.

Ainda assim, “no conjunto, estes resultados reforçam as recomendações para a prática regular de atividade física, mesmo em tipos de cancro menos estudados”, escreveu Chao Cao, PhD, do Dana-Farber Cancer Institute, num comentário associado ao estudo.

O estudo e o comentário foram publicados online a 17 de fevereiro na revista JAMA Network Open.

Colmatar lacunas de conhecimento

As recomendações atuais para sobreviventes de cancro indicam 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa.

No entanto, grande parte da evidência baseia-se em estudos sobre cancro da mama, cólon e próstata, existindo menos informação sobre outros tipos de cancro.

Para colmatar essa lacuna, investigadores da American Cancer Society analisaram dados de seis grandes estudos nos Estados Unidos, envolvendo sobreviventes de cancro da bexiga, endométrio, rim, pulmão, cavidade oral, ovário e reto.

A análise incluiu 17.141 sobreviventes (idade média de 67 anos; 60% mulheres). Durante um seguimento médio de cerca de 10 anos, registaram-se 4872 mortes por cancro.

Mesmo níveis baixos de atividade física (inferiores às recomendações) estiveram associados a menor risco de mortalidade em sobreviventes de cancro da bexiga, endométrio e pulmão.

Cumprir as recomendações esteve associado a reduções ainda maiores no risco de morte por cancro, especialmente nos casos de cancro do endométrio e pulmão.

Mais exercício traz mais benefícios?

Em alguns casos, sim. Entre sobreviventes de cancro oral, níveis de atividade física significativamente superiores às recomendações estiveram associados a menor risco de mortalidade.

Já no cancro do reto, apenas determinados níveis de atividade mostraram associação significativa com menor risco, embora níveis moderados também sugerissem benefícios.

No caso do cancro do rim, os resultados indicaram uma tendência para menor mortalidade com mais atividade, mas sem confirmação estatística.

Um dado particularmente relevante foi que iniciar atividade física após o diagnóstico já traz benefícios. Sobreviventes de cancro do pulmão que passaram a cumprir as recomendações após o diagnóstico apresentaram menos 42% de risco de morte, enquanto nos sobreviventes de cancro do reto essa redução foi de 49%.

Por outro lado, cumprir recomendações apenas antes do diagnóstico, mas não depois, não se associou a menor risco de mortalidade.

Importância do exercício após o diagnóstico

Estes resultados reforçam a importância de promover a atividade física após o diagnóstico de cancro, bem como a necessidade de estratégias adaptadas a diferentes tipos de doentes.

Os investigadores destacam também o valor de avaliar a atividade física ao longo do tempo, permitindo compreender melhor o impacto de hábitos consistentes.

Ainda assim, especialistas alertam para limitações dos estudos observacionais. Pessoas mais saudáveis tendem a ser mais ativas e, por isso, podem naturalmente ter melhores prognósticos.

Apesar dessas limitações, a prática de exercício continua a ser recomendada.

Como refere um especialista independente, o exercício pode não só contribuir para a saúde a longo prazo, como melhorar o bem-estar imediato, ajudando a sentir-se melhor e a dormir melhor.

Fonte: https://www.medscape.com/viewarticle/exercise-may-improve-survival-variety-cancer-types-2026a10005ds

VOLTAR

Newsletter

Pretendo ser informado(a) por e-mail das vossas novidades

* Campo obrigatório

Associação Amigas do Peito

Somos uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos e de acordo com a nossa política de expansão, estamos atualmente disponíveis para receber quaisquer utentes, de quaisquer entidades, que necessitem do nosso apoio.

A nossa sede situa-se no recinto (Campus) do Hospital de Santa Maria, em frente da torre esquerda da fachada principal, junto à prumada de Neurologia.