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Um novo estudo concluiu que o tratamento com iodo radioativo para o hipertiroidismo esteve associado a um aumento da incidência de cancro da mama, embora não tenha sido observado um aumento global da incidência de cancro nem da mortalidade relacionada com cancro.
A análise foi divulgada pela Medscape e baseou-se em dados da base de registos clínicos desidentificados da Universidade do Michigan.
Os investigadores avaliaram diagnósticos de cancro em doentes tratados para hipertiroidismo entre janeiro de 2006 e dezembro de 2019.
Foram analisados os resultados em pessoas tratadas com:
Associação significativa com cancro da mama
O tratamento com iodo radioativo esteve significativamente associado a um maior risco de cancro da mama tanto nas análises ajustadas à idade como nas análises multivariáveis.
Segundo os investigadores:
Quando os dados foram analisados de acordo com o estado menopáusico, a associação significativa foi observada apenas em mulheres pós-menopáusicas com 50 ou mais anos.
Neste grupo:
Nas mulheres pré-menopáusicas, não foi identificada uma associação significativa.
Sem aumento global da incidência ou mortalidade por cancro
Apesar da associação observada com o cancro da mama, o estudo não encontrou um aumento global da incidência de cancro nem da mortalidade relacionada com cancro nas pessoas tratadas com iodo radioativo.
Os autores referem que o tratamento continua a ser uma opção eficaz e estabelecida para o controlo do hipertiroidismo.
Necessidade de monitorização a longo prazo
Os investigadores sublinham, contudo, a importância da monitorização de segurança a longo prazo.
Segundo os autores, os resultados poderão apoiar a realização de avaliações individualizadas do risco na escolha do tratamento, particularmente em doentes com maior risco de cancro da mama.
Possível associação com mortalidade por cancro pancreático
O estudo identificou ainda uma taxa aumentada de mortalidade por cancro pancreático em doentes com pelo menos dois anos de seguimento.
Na análise ajustada à idade, o risco de mortalidade por cancro pancreático foi cerca de quatro vezes superior.
Os autores referem, no entanto, que este resultado necessita de confirmação em estudos futuros, devido à raridade do cancro pancreático e ao número limitado de casos observados.
Conclusão
Os dados analisados sugerem que o tratamento com iodo radioativo para o hipertiroidismo poderá estar associado a um aumento do risco de cancro da mama, sobretudo em mulheres pós-menopáusicas.
Contudo, o estudo não encontrou aumento global da incidência de cancro nem da mortalidade relacionada com cancro.
Os autores defendem a importância da monitorização a longo prazo e da avaliação individualizada do risco na decisão terapêutica.
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