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O ribociclib na dose de 400 mg mostrou eficácia inferior à dose de 600 mg em doentes com cancro da mama avançado positivo para recetores hormonais (HR+), embora tenha apresentado melhor tolerabilidade, com menores taxas de acontecimentos adversos (AEs).
Metodologia
O atual padrão de tratamento para o cancro da mama avançado HR+/ERBB2- envolve terapêutica endócrina associada a um inibidor das cinases dependentes de ciclina 4/6 (CDK4/6). Ensaios de fase 3 anteriores do programa MONALEESA demonstraram benefícios substanciais na sobrevivência com ribociclib 600 mg, embora com acontecimentos adversos dependentes da dose.
Um estudo de fase 2, multicêntrico, randomizado, aberto, incluiu 376 mulheres pré- e pós-menopáusicas com diagnóstico recente de cancro da mama avançado HR+/ERBB2-.
A investigação decorreu em 107 centros de 23 países da Europa, Austrália, América Latina, América do Norte e Ásia, com análise de dados no corte final a 30 de agosto de 2024.
As participantes foram randomizadas numa proporção de 1:1 para receber ribociclib 400 mg ou 600 mg em associação com um inibidor da aromatase não esteroide (IA-NE); as doentes pré-menopáusicas receberam também goserelina.
O desfecho primário foi a taxa de resposta global (ORR). Os desfechos secundários incluíram alterações do intervalo QT, duração da resposta, tempo até resposta, sobrevivência livre de progressão, farmacocinética e segurança.
Resultados principais
A taxa de resposta global foi de 48,9% com ribociclib 400 mg, comparativamente a 56,1% com ribociclib 600 mg (razão, 0,87; IC 90%, 0,74–0,83), indicando uma menor eficácia da dose de 400 mg.
Ocorreram acontecimentos adversos em 95,7% das doentes tratadas com ribociclib 400 mg e em 96,8% das que receberam 600 mg. Os acontecimentos adversos de grau 3 ou superior afetaram 65,4% e 79,3% das doentes, respetivamente.
Entre as doentes tratadas com ribociclib 400 mg versus 600 mg, os acontecimentos adversos de grau ≥3 mais frequentes foram neutropenia (41,0% vs 58,5%) e aumento dos níveis de alanina aminotransferase (14,4% vs 11,7%).
Implicações para a prática clínica
“Os resultados do ensaio clínico randomizado AMALEE, nomeadamente a maior taxa de resposta global e o menor tempo até resposta com ribociclib 600 mg associado a um inibidor da aromatase não esteroide, em comparação com ribociclib 400 mg, apoiam a manutenção da dose inicial de 600 mg como tratamento de primeira linha em doentes com cancro da mama avançado HR+/ERBB2-. Os dados também sustentam a redução da dose para 400 mg como uma opção eficaz para o controlo de acontecimentos adversos”, escreveram os autores.
Limitações
Segundo os autores, o ensaio AMALEE não foi desenhado para avaliar a sobrevivência global nem os resultados reportados pelas doentes, que foram desfechos secundários nos ensaios MONALEESA. O estudo também não comparou ribociclib 400 mg associado a IA-NE com IA-NE isoladamente.
A pandemia de COVID-19 levou a desvios do protocolo que afetaram a avaliação da eficácia e a adesão ao tratamento, embora de forma equilibrada entre os dois braços. Além disso, o ensaio teve poder estatístico apenas para avaliar a taxa de resposta global, conforme solicitado pela FDA, e não a sobrevivência livre de progressão, limitando comparações estatísticas mais robustas entre as doses.
VOLTARFonte:
- O estudo foi liderado por Fátima Cardoso, MD, da Unidade de Mama do Champalimaud Clinical Center/Fundação Champalimaud e da ABC Global Alliance, em Lisboa, Portugal. Foi publicado online a 25 de setembro no JAMA Oncology.
- https://www.medscape.com/viewarticle/lower-dose-ribociclib-equally-effective-breast-cancer-2025a1000pnx
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