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A evolução da confiança na medicina na atualidade

2026-07-14

A evolução da confiança na medicina na atualidade

Historiadora analisa como pandemia, redes sociais e consultas cada vez mais curtas têm corroído a confiança dos doentes na medicina

A confiança na medicina tem variado ao longo do tempo e, atualmente, vive-se um período de crescente desconfiança, não apenas em relação aos médicos, mas também à ciência e a outras áreas da sociedade. Esta é a reflexão apresentada por Sophia Rosenfeld, historiadora e professora universitária, no comentário "The Shifting Tides of Medical Trust Through History", publicado na Medscape.

Segundo a autora, a perda de confiança na medicina não ocorre de forma isolada, mas acompanha uma diminuição mais ampla da confiança na especialização, nas instituições e nos profissionais de diferentes áreas.

A confiança na medicina acompanha mudanças na sociedade

Sophia Rosenfeld considera que a sociedade atravessa um momento em que a autoridade do conhecimento especializado é frequentemente questionada.

A autora refere que este fenómeno está inserido num contexto mais amplo de contestação da especialização e do conhecimento científico, em que a experiência profissional é frequentemente colocada em oposição ao chamado "senso comum" ou à ideia de que cada pessoa pode realizar a sua própria investigação.

A pandemia reforçou a politização da saúde pública

Entre os fatores específicos que contribuíram para a diminuição da confiança na medicina, a autora destaca a pandemia de COVID-19.

Segundo Sophia Rosenfeld, a pandemia fez com que muitas decisões relacionadas com a saúde pública passassem a ser alvo de debate político.

A rápida evolução do conhecimento científico e as alterações frequentes nas recomendações levaram muitas pessoas a sentir dificuldade em compreender as orientações recebidas, contribuindo para o aumento da incerteza relativamente às autoridades de saúde, hospitais e profissionais.

Redes sociais alteraram a forma como a informação é consumida

Outro fator identificado é o papel das redes sociais e da crescente fragmentação das fontes de informação.

De acordo com a autora, atualmente é possível encontrar informação em múltiplos locais, mas muitas pessoas têm dificuldade em distinguir quais as fontes credíveis, quem merece confiança e porque razão diferentes especialistas apresentam opiniões distintas.

Esta realidade contribui para tornar mais difícil a construção de confiança na informação médica.

Consultas mais curtas dificultam a relação entre médico e doente

Sophia Rosenfeld considera igualmente que a própria organização dos cuidados de saúde influencia a confiança dos doentes.

Segundo a autora, as consultas são frequentemente muito curtas e os médicos trabalham sob forte pressão de tempo, o que reduz as oportunidades para construir relações duradouras com os doentes.

Além disso, muitos doentes deixam de ser acompanhados regularmente pelo mesmo profissional, dificultando o desenvolvimento de uma relação de confiança baseada no conhecimento mútuo ao longo do tempo.

A organização dos sistemas de saúde também influencia a perceção dos doentes

A autora refere ainda que, em alguns sistemas de saúde, a necessidade de atender mais doentes num menor espaço de tempo e as pressões económicas podem influenciar a perceção que os cidadãos têm sobre os profissionais de saúde.

Embora considere que esta realidade seja particularmente evidente nos Estados Unidos, Sophia Rosenfeld lembra que outros países enfrentam desafios diferentes, como dificuldades no acesso atempado a cuidados de elevada qualidade.

Um desafio que vai além da medicina

Para Sophia Rosenfeld, a confiança na medicina não pode ser analisada separadamente das transformações sociais mais amplas.

A autora conclui que a atual diminuição da confiança nos médicos reflete um contexto em que o conhecimento especializado, as instituições e a própria ciência enfrentam um escrutínio crescente por parte da sociedade.

Fonte: https://www.medscape.com/viewarticle/shifting-tides-medical-trust-through-history-2026a1000gl9

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