Torne-se associado - Apoie esta causa nobre
"Se curarmos a doença cardiovascular, não ganharemos mais de dois anos de vida; na verdade, é necessário tratar o envelhecimento para alcançar mais de dez anos adicionais de longevidade." Foi desta forma que Nir Barzilai, diretor do Institute for Aging Research da Albert Einstein College of Medicine, em Nova Iorque, iniciou a sua conferência inaugural no Longevity World Forum 2026, realizado recentemente em Madrid, Espanha.
Segundo explicou, o grande objetivo da investigação nesta área é compreender o processo de envelhecimento e intervir nos mecanismos que tornam o organismo humano mais vulnerável a múltiplas doenças ao mesmo tempo.
Para isso, o especialista distingue dois conceitos fundamentais: idade cronológica e idade biológica. Uma pessoa pode ter 70 anos em termos cronológicos e apresentar uma condição física muito debilitada, enquanto outra, com 90 anos, pode manter uma vida ativa e saudável. A chave está em reconhecer que é o envelhecimento que impulsiona o aparecimento de doenças — e não o contrário.
O que revelam os centenários
Neste contexto, Barzilai referiu um estudo realizado com famílias de centenários em Nova Iorque. Estas pessoas não apenas vivem mais tempo, como mantêm boa saúde durante grande parte da vida.
Ao contrário do que acontece com muitas pessoas, que podem passar os últimos 15 ou 20 anos da vida a lidar com doenças crónicas, os centenários observados nestes estudos reduzem esse período de fragilidade para apenas algumas semanas. Além disso, tendem a utilizar menos os serviços hospitalares e desempenham um papel importante na chamada “economia prateada”, associada ao envelhecimento da população.
Reutilização de medicamentos
Uma das estratégias defendidas por Barzilai é o chamado drug repurposing, ou reutilização de medicamentos — ou seja, utilizar fármacos já aprovados para outras doenças que possam também apresentar efeitos benéficos no envelhecimento.
Um exemplo é a metformina, um medicamento amplamente utilizado no tratamento da diabetes. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se que pessoas com diabetes que tomavam metformina tiveram aproximadamente metade das hospitalizações e mortes em comparação com aquelas que não utilizavam o fármaco.
Entre os medicamentos antidiabéticos, foram também referidos os agonistas do recetor GLP-1, que poderão vir a reproduzir alguns dos benefícios da restrição calórica sem exigir dietas extremamente restritivas. Outro grupo mencionado foram os inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2), que demonstraram em ensaios clínicos uma redução de cerca de 40% na mortalidade por todas as causas.
Hormona de crescimento e envelhecimento
A investigação também tem analisado o papel da hormona de crescimento no envelhecimento. Estudos indicam que níveis elevados desta hormona após os 50 anos podem ser prejudiciais — algo que não se observa em idades mais jovens.
Uma possível explicação é que o organismo passa de um modo de crescimento e construção para um modo de reciclagem e manutenção celular. Assim, promover continuamente o crescimento celular em idades mais avançadas pode ser contraproducente.
Níveis mais baixos de fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) parecem induzir um estado de manutenção e reparação do organismo, em vez de estimular a produção de novas células e tecidos — processos que podem também favorecer o desenvolvimento de doenças como o cancro.
Algumas investigações já avançaram da observação para a intervenção. Estudos em animais que bloquearam os recetores de IGF-1 mostraram resultados promissores: os animais viveram mais tempo e, sobretudo, aumentaram significativamente o período de vida com boa saúde.
Segundo Barzilai, os níveis de IGF-1 funcionam como uma espada de dois gumes: por volta dos 40 anos, níveis elevados estão associados a menos doenças; após os 50 ou 60 anos, a relação inverte-se e níveis mais baixos tornam-se um marcador de longevidade.
O papel da medicina de precisão
A medicina de precisão também poderá desempenhar um papel importante na investigação sobre envelhecimento. A análise de proteínas no sangue — através da chamada proteómica — permite estimar a idade biológica de diferentes órgãos.
Desta forma, será possível não apenas conhecer a idade biológica global de uma pessoa, mas também identificar quais os órgãos que necessitam de maior monitorização ou intervenção.
Mais anos de vida com qualidade
Melhorar a longevidade não é um objetivo reservado a poucos. Trata-se de uma estratégia que pode beneficiar muitas pessoas, especialmente aquelas com envelhecimento acelerado, como sobreviventes de cancro ou indivíduos com síndrome de Down.
Contudo, os especialistas sublinham que investir na saúde antes do aparecimento da doença continua a ser fundamental. Para isso, recomenda-se a adoção de hábitos de vida saudáveis, incluindo uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, gestão do stress e manutenção de uma vida social ativa, apoiada por redes sociais sólidas.
VOLTAR
Pretendo ser informado(a) por e-mail das vossas novidades
Associação Amigas do Peito
Somos uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos e de acordo com a nossa política de expansão, estamos atualmente disponíveis para receber quaisquer utentes, de quaisquer entidades, que necessitem do nosso apoio.
A nossa sede situa-se no recinto (Campus) do Hospital de Santa Maria, em frente da torre esquerda da fachada principal, junto à prumada de Neurologia.
Notícias