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A eficácia clínica documentada faz-nos olhar para a tolerância de uma maneira diferente

2026-01-26

A eficácia clínica documentada faz-nos olhar para a tolerância de uma maneira diferente

Uma nova perspetiva no tratamento do cancro da mama RH+ HER2-

No 22.º Congresso Nacional de Oncologia, que teve lugar em Braga, o oncologista José Luís Passos Coelho, do Hospital da Luz Lisboa, partilhou uma reflexão que traduz bem o momento de transformação que se vive atualmente no tratamento do cancro da mama:

“A eficácia clínica documentada faz-nos olhar para a tolerância de uma maneira diferente.”

Esta afirmação resume uma mudança importante – a forma como os especialistas e as pessoas com cancro da mama estão a encarar novas opções de tratamento que combinam eficácia comprovada e qualidade de vida.

Novas opções de tratamento que simplificam o dia a dia

Entre as inovações discutidas esteve o uso do abemaciclib, um medicamento oral cada vez mais utilizado na prática clínica em doentes com cancro da mama RH+ HER2-.

De acordo com o Dr. José Luís Passos Coelho, trata-se de um fármaco eficaz, bem tolerado e com toxicidade previsível, que permite aos médicos gerir o tratamento com mais segurança e às doentes manter uma rotina mais estável e confortável.

Este equilíbrio entre eficácia e tolerância representa um avanço significativo. Afinal, quando a pessoa confia no tratamento e o consegue integrar na sua vida diária, a adesão melhora — e com ela, os resultados clínicos.

Educação, acompanhamento e confiança

O especialista destacou ainda que a educação do doente é essencial. Explicar o que esperar do tratamento, os possíveis efeitos adversos e como lidar com eles ajuda a reduzir a ansiedade e a reforçar a confiança.

As consultas de Oncologia são ricas em informação, o que torna a repetição e o acompanhamento contínuo fundamentais, sobretudo no início da terapia, quando as toxicidades tendem a surgir.

O valor da equipa multidisciplinar

Outro ponto central da intervenção dd Dr. José Luís Passos Coelho foi o destaque dado à importância do trabalho em equipa. Médicos, enfermeiros e farmacêuticos têm um papel determinante e complementar.

Os contactos pós-consulta, muitas vezes realizados por telefone ou remotamente, asseguram uma vigilância próxima e um apoio permanente às doentes. Além disso, a consulta farmacêutica contribui com a conciliação terapêutica e a avaliação de eventuais interações de medicamentos.

É este trabalho conjunto que maximiza a eficácia do tratamento e promove a adesão, ajudando cada mulher a sentir-se acompanhada, cuidada e confiante ao longo do seu percurso.

Um futuro mais humano e personalizado

A evolução da Medicina Oncológica demonstra que o sucesso terapêutico não depende apenas dos medicamentos, mas também da forma como estes são integrados na vida das pessoas.

Como referiu o Dr. José Luís Passos Coelho, quando a eficácia está bem documentada, passamos a encarar a tolerância de outra forma — não como um obstáculo, mas como parte de uma abordagem mais completa e humana.

Fonte: https://myoncologia.pt/entrevistas/a-eficacia-clinica-documentada-faz-nos-olhar-para-a-tolerancia-de-uma-maneira-diferente

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