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2026-05-29
As alterações provocadas pela menopausa no tecido mamário podem criar um ambiente favorável ao desenvolvimento, fixação e propagação de células cancerígenas, tornando as mulheres mais propensas ao desenvolvimento de tumores nesta fase da vida. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Aging.
As estatísticas indicam que cerca de 80% das mulheres que desenvolvem cancro da mama têm mais de 50 anos, o que demonstra que as mudanças no tecido mamário aumentam esta vulnerabilidade.
Uma equipa de investigadores no Canadá e no Reino Unido desenvolveu o mapa mais detalhado até à data das alterações relacionadas com a idade sofridas pelos três milhões de células que compõem o tecido mamário de uma mulher. O trabalho destaca as mudanças significativas que ocorrem com a diminuição da hormona estrogénio provocada pela menopausa, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.
Estudo analisou mamografias e biópsias de mais de 500 mulheres
Os investigadores analisaram mamografias e biópsias de mais de 500 mulheres, com idades entre os 15 e os 86 anos, realizadas no âmbito de mamoplastias redutoras.
De acordo com o estudo, à medida que as mulheres envelhecem, todos os tipos de células diminuem em número e dividem-se com menos frequência. Esta alteração na estrutura do tecido mamário cria um microambiente mais favorável para as células cancerígenas.
Os autores explicam que as estruturas produtoras de leite na mama, conhecidas como lóbulos, encolhem ou desaparecem, enquanto as células de gordura aumentam e os vasos sanguíneos diminuem.
Alterações no ambiente imunitário
Segundo a EFE, também ocorrem alterações no ambiente imunitário. As mamas mais jovens apresentam maior quantidade de células B e células T ativas, responsáveis por identificar e destruir células cancerígenas e impedir a sua propagação.
À medida que o tecido envelhece, estes tipos de células imunitárias diminuem em número e são substituídos por outras células que criam um ambiente imunitário mais inflamatório e potencialmente menos protetor contra células mutantes. Neste contexto, as células cancerígenas encontram condições mais favoráveis para a formação de tumores.
“O nosso mapa revela as razões pelas quais o risco de cancro da mama aumenta com a idade e explica porque é que os tumores nas mulheres mais jovens diferem biologicamente”, afirma Pulkit Gupta, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, citado pela EFE.
O investigador acrescenta que, embora tenham sido observadas alterações em mulheres na casa dos 20 anos, possivelmente relacionadas com a gravidez e o parto, as mudanças mais significativas no tecido mamário ocorrem durante a menopausa.
Alterações afetam todos os tipos de células do tecido mamário
Samuel Aparicio, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, refere que já tinham sido observados efeitos das alterações da atividade do estrogénio relacionadas com a idade nas células secretoras de leite da mama.
No entanto, segundo o investigador, a principal surpresa foi verificar que estas alterações afetam todos os tipos de células do tecido mamário, incluindo as células imunitárias.
O cancro da mama é o cancro mais frequentemente diagnosticado nas mulheres e representa 1 em cada 4 casos anuais da doença em todo o mundo, de acordo com a plataforma da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
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