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Inteligência artificial e relação humana: os desafios da investigação no cancro da mama

2026-09-28

Inteligência artificial e relação humana: os desafios da investigação no cancro da mama

Inteligência artificial na Oncologia: inovação, investigação e o desafio de preservar o contacto com o doente

A inteligência artificial (IA) está a assumir um papel cada vez mais relevante na investigação em Oncologia. No entanto, o avanço tecnológico traz consigo um desafio fundamental: acompanhar a rapidez da inovação sem perder a proximidade e o contacto pessoal com os doentes.

Esta foi uma das ideias destacadas por Maria João Cardoso, diretora do Breast Cancer Research Program (BRCP) da Fundação Champalimaud, durante a Medica AI – The Conference 2026, realizada a 16 de julho.

A inteligência artificial no centro da investigação

A inteligência artificial tornou-se um dos eixos centrais do desenvolvimento científico do BRCP. Segundo Maria João Cardoso, embora o plano de investigação abranja diferentes áreas, a IA representa a sua área mais forte e constitui um critério importante na seleção dos projetos.

Os projetos distinguidos nos 2026 BCRP Awards incluem, assim, uma componente de inteligência artificial.

Neste contexto, Maria João Cardoso destacou também a importância do desenvolvimento de bases de dados estruturadas, capazes de alimentar agentes inteligentes e contribuir para a obtenção de resultados clínicos relevantes.

Uma evolução tecnológica difícil de acompanhar

Apesar do potencial destas ferramentas, a sua implementação na prática clínica hospitalar apresenta dificuldades.

Maria João Cardoso considera difícil prever o impacto exato da inteligência artificial a longo prazo, sobretudo perante uma evolução tecnológica muito rápida, que nem sempre consegue ser acompanhada pelas infraestruturas existentes.

A estes desafios juntam-se ainda entraves técnicos e regulamentares.

Mais tecnologia para recuperar o contacto pessoal

Para Maria João Cardoso, a expectativa da comunidade clínica relativamente à inteligência artificial passa também por conseguir ganhar eficiência e libertar mais tempo para o contacto com os doentes.

A especialista defende que as ferramentas de IA poderão ajudar a executar tarefas que atualmente ocupam tempo para além daquele dedicado à relação com o doente.

A tecnologia surge, neste sentido, associada à expectativa de que os profissionais possam dispor de mais tempo para os momentos de contacto pessoal.

A inteligência artificial também está a mudar a relação médico-doente

A crescente digitalização dos cuidados coloca igualmente novos desafios à relação entre médicos e doentes.

Maria João Cardoso refere que os cidadãos chegam cada vez mais às consultas com diagnósticos ou opiniões previamente gerados através de inteligência artificial. A especialista considera esta autonomia importante para o avanço do conhecimento, mas identifica vários aspetos que terão de ser assegurados na integração destas tecnologias nos sistemas eletrónicos e nos registos de saúde.

Entre as principais barreiras estão a integração, a proteção, a ética e a confiança.

Liderança e capacidade de adaptação serão fundamentais

Perante uma evolução cujo impacto futuro continua a ser difícil de antecipar, Maria João Cardoso destaca a importância da liderança e da visão prospetiva das equipas.

A capacidade de acompanhar a mudança será, segundo a responsável, essencial nas próximas décadas.

A inteligência artificial assume, assim, um lugar central nos projetos de investigação apresentados, mas o desenvolvimento tecnológico decorre em paralelo com desafios relacionados com as infraestruturas, a regulamentação e a sua integração na prática clínica. Ao mesmo tempo, permanece a expectativa de que estas ferramentas permitam recuperar algo essencial nos cuidados de saúde: mais tempo para o contacto pessoal com o doente.

Fonte: https://myoncologia.pt/entrevistas/inteligencia-artificial-e-relacao-humana-o-futuro-da-investigacao-no-cancro-de-mama

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