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A relação entre alimentação e cancro continua rodeada de ideias que nem sempre correspondem à evidência disponível. A oncologista gastrointestinal Shikha Jain chama a atenção para alguns dos mitos que encontra frequentemente na prática clínica, desde a ideia de que o açúcar “alimenta” o cancro até à utilização de suplementos com o objetivo de prevenir a doença.
Um dos mitos mais comuns é que consumir açúcar faz o cancro crescer. Segundo Shikha Jain, esta afirmação não é verdadeira.
Parte desta ideia poderá estar relacionada com a utilização da PET, um exame que identifica células que se replicam rapidamente e que captam açúcar. No entanto, isto não significa que o cancro esteja simplesmente a “alimentar-se” de açúcar.
Eliminar completamente o açúcar da alimentação não ajuda a tratar nem a prevenir o cancro. A recomendação apresentada é manter uma alimentação saudável, sem consumo excessivo de açúcar e com atenção particular ao seu controlo quando existe diabetes.
Outro mito abordado é o de que determinados “superalimentos”, vitaminas ou suplementos conseguem prevenir o cancro.
De acordo com a especialista, não existem atualmente dados que demonstrem que vitamina C, curcuma ou outros alimentos e suplementos previnam o cancro. A curcuma pode ter um efeito anti-inflamatório e ser utilizada em pequenas quantidades ou na alimentação, mas o consumo excessivo de qualquer produto pode ser prejudicial.
O chá verde pode também fazer parte da alimentação, mas quantidades demasiado elevadas podem tornar o sangue mais fino e aumentar o risco de hemorragia.
A especialista destaca ainda que suplementos e vitaminas podem interagir com a quimioterapia e outras terapêuticas sistémicas. Em alguns casos, podem interferir com a absorção de um medicamento ou aumentar a sua toxicidade. Por esse motivo, aquilo que é tomado durante o tratamento deve ser discutido com a equipa médica e farmacêutica.
Embora não existam alimentos apresentados como capazes de prevenir isoladamente o cancro, o artigo refere fatores alimentares e comportamentais associados ao risco.
Uma alimentação rica em carnes processadas, carne vermelha e alimentos processados é apontada como desfavorável. O tabagismo é igualmente destacado, assim como o consumo excessivo de álcool, associado a danos no fígado e pâncreas e a cancros do rim e da bexiga.
A orientação defendida passa por uma alimentação saudável e pela redução ou eliminação de fatores que podem prejudicar a saúde.
A atividade física é outro dos aspetos destacados. Segundo Jain, existem estudos que mostram que o exercício durante e após o tratamento do cancro pode contribuir positivamente para a saúde e para a sobrevivência.
Mesmo perante o cansaço associado ao tratamento, a incorporação de exercício pode ser uma forma importante de manter a saúde e a atividade física.
A mensagem central é também de prudência perante produtos apresentados online como soluções para prevenir ou combater o cancro. A especialista alerta particularmente para suplementos promovidos por celebridades ou outras pessoas que possam ter interesses financeiros associados à sua venda.
Nem todos os suplementos são inofensivos e alguns podem provocar consequências graves quando utilizados incorretamente ou sem acompanhamento médico.
Por isso, a relação entre profissionais de saúde e doentes deve assentar numa comunicação aberta, decisões partilhadas e informação baseada na ciência e na evidência. Alimentação, exercício, vitaminas e suplementos devem ser discutidos com a equipa de cuidados, sobretudo durante o tratamento oncológico.
VOLTARFonte: https://www.medscape.com/viewarticle/debunking-diet-and-cancer-myths-clinic-2026a1000n3p
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