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2026-10-01
O American College of Physicians (ACP) atualizou as suas orientações para o rastreio do cancro da mama em mulheres adultas assintomáticas com risco médio, com base em novos dados e em recomendações clínicas de elevada qualidade publicadas desde a anterior orientação de 2019.
As novas recomendações aplicam-se apenas a mulheres assintomáticas com risco médio de cancro da mama. Não se destinam a mulheres com sintomas da doença nem àquelas consideradas de alto risco, incluindo mulheres com história pessoal de cancro da mama, lesões mamárias de alto risco, mutações genéticas conhecidas como BRCA1 ou BRCA2, síndromes familiares associadas ao cancro da mama ou antecedentes de radioterapia torácica de alta dose em idade jovem.
Mamografia bienal entre os 50 e os 74 anos
A principal recomendação da orientação é que as mulheres entre os 50 e os 74 anos realizem mamografia de rastreio a cada dois anos. Segundo o ACP, os benefícios desta estratégia superam os potenciais riscos para a maioria das mulheres desta faixa etária.
Decisão partilhada para mulheres entre os 40 e os 49 anos
Para as mulheres entre os 40 e os 49 anos, o ACP recomenda uma abordagem baseada na decisão partilhada entre médica(o) e paciente. A discussão deve incluir o risco individual de cancro da mama, os valores e preferências da mulher e a incerteza relativamente aos benefícios e riscos do rastreio.
Segundo a orientação, existe uma pequena redução absoluta da mortalidade por cancro da mama nesta faixa etária, mas os potenciais danos do rastreio devem ser considerados. Estes incluem sobrediagnóstico, sobretratamento, resultados falso-positivos, resultados falso-negativos, necessidade de exames adicionais, exposição à radiação e impacto psicológico associado aos falsos positivos.
Caso a mulher, após a discussão, opte pelo rastreio, o ACP recomenda que este seja realizado de forma bienal.
Avaliação da interrupção do rastreio após os 75 anos
Para mulheres com 75 ou mais anos, ou para aquelas com esperança de vida limitada, o ACP recomenda uma conversa sobre a eventual interrupção do rastreio. A decisão deve igualmente basear-se no risco individual, nos valores e preferências da mulher e na incerteza relativamente aos benefícios e danos da continuação do rastreio.
A orientação refere que os benefícios do rastreio após os 74 anos são reduzidos ou incertos, enquanto o risco de sobrediagnóstico e de exames adicionais tende a aumentar com a idade.
Mulheres com mamas densas
Nas mulheres com densidade mamária classificada como BI-RADS C ou D, o ACP recomenda que os médicos considerem a utilização complementar da tomossíntese mamária digital (DBT). A decisão deve ter em conta os potenciais benefícios e riscos, a exposição adicional à radiação, a disponibilidade do método, os valores e preferências da mulher e os custos associados.
Por outro lado, a orientação recomenda não utilizar ressonância magnética nem ecografia suplementares para rastreio em mulheres assintomáticas de risco médio com mamas densas.
Atualização baseada em novas evidências
De acordo com Amir Qaseem, responsável científico do ACP e principal autor do documento, esta atualização foi desenvolvida com base em novos dados e em orientações publicadas desde a versão anterior, divulgada em 2019. O objetivo é apoiar a tomada de decisão clínica sobre quando iniciar, continuar ou interromper o rastreio do cancro da mama em mulheres assintomáticas de risco médio.
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