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Velho demais para a faculdade de Medicina? Estes médicos mostram que isso não existe

2026-03-03

Velho demais para a faculdade de Medicina? Estes médicos mostram que isso não existe

Histórias de estudantes que ingressaram em Medicina na meia-idade desafiam a ideia de que existe uma idade “certa” para seguir a vocação médica.

Existe um limite de idade para entrar na faculdade de Medicina?

Poucos estudantes testam essa pergunta na prática. Um estudo da Association of American Medical Colleges (AAMC) sobre as matrículas nas faculdades de Medicina nos Estados Unidos no ano letivo de 2024/2025 revelou que os novos alunos tinham entre 17 e 55 anos. No entanto, apenas 2,8% tinham mais de 30 anos. Trata-se de um contraste significativo com a população geral do ensino superior, cuja média de idades ronda os 33 anos, e onde o número de estudantes “não tradicionais” tem aumentado nos últimos anos.

Será que Medicina exige mais tempo e dedicação do que outras áreas? Provavelmente. Níveis de energia mais elevados e menos responsabilidades familiares na juventude podem parecer vantagens. Ainda assim, alguns estudantes que iniciam o curso já na meia-idade descobrem que estão mais preparados para enfrentar as exigências da formação médica numa fase mais tardia da vida.

Muitos defendem que a estabilidade emocional, familiar e financeira, bem como a maturidade adquirida com a idade, são trunfos decisivos.

“Aguenta Firme!”

Durante a pandemia de covid-19, Jen Reinmuth-Birch estudava para o exame de acesso à Medicina sentada na parte de trás de um autocarro escolar convertido em casa móvel, enquanto o marido conduzia e os filhos gémeos se preparavam para os exames de admissão à universidade. A família tinha adaptado o veículo para férias, mas acabou por aproveitar o ensino e o trabalho remoto para viajar pelo país.

“Foi tudo improvisado”, recorda Jen, que iniciou Medicina aos 50 anos. “Sentia-me completamente perdida.”

Como parte do processo de candidatura à Pacific Northwest University of Health Sciences, escreveu uma redação sobre a experiência de viver num autocarro. Hoje, aos 55 anos e no quarto ano do curso, continua a encontrar funcionários que se lembram do texto.

Jen cresceu nos anos 1980, numa altura em que muitas raparigas eram desencorajadas a seguir Medicina. Um professor dizia às alunas que se sentassem no fundo da sala porque “não iam perceber a matéria”. Um orientador sugeriu-lhe que escolhesse um curso mais fácil e que se casasse com um médico em vez de tentar ser médica.

Acabou por formar-se em Ciências Humanas e tornou-se dona de casa. Mais tarde, já mãe solteira, conciliou vários empregos com aulas noturnas e trabalho em investigação na área do autismo. Quando os filhos se aproximaram do fim do secundário, o marido perguntou-lhe: “E tu, o que vais fazer?”

Pouco depois, pesquisava no Google “Como entrar em Medicina?” e estudava com vídeos no YouTube.

“As faculdades ficaram encantadas com alguém que queria estudar Medicina numa fase mais avançada da vida”, conta. “Quem vem diretamente da universidade tem muito conhecimento teórico, mas a experiência de vida desenvolve competências interpessoais. Isso foi uma grande vantagem para mim.”

Hoje, entre colegas com metade da sua idade, nunca se sentiu “a estudante de 50 anos” — apenas a Jen. E, por vezes, assume naturalmente um papel de mentora. Quando uma colega mais jovem chorava por ter reprovado num exame, Jen respondeu-lhe: “Querida, aguenta firme. Depois de um divórcio, hipotecas e perdas a sério, ganhas outra perspetiva sobre o que é realmente grave.”

Da Oficina ao Bloco de Urgência

Há duas décadas, o Dr. Carl Allamby diagnosticava problemas e resolvia casos complexos — mas em automóveis. Foi proprietário de uma oficina mecânica em Cleveland durante mais de 20 anos.

“A perseverança necessária para ter sucesso nos negócios preparou-me para Medicina”, afirma. “A curiosidade constante e a vontade de melhorar são fundamentais.”

Formou-se em Medicina aos 47 anos. Hoje, aos 53, é médico de urgência na Cleveland Clinic.

Cresceu num bairro operário e, depois de um percurso escolar modesto, achava que o seu destino estaria limitado a trabalhos pouco qualificados. O sucesso empresarial deu-lhe confiança. Aos 34 anos, decidiu estudar Gestão. Uma aula introdutória de Biologia reacendeu o sonho antigo de ser médico.

Antes de iniciar Medicina, vendeu praticamente tudo o que tinha acumulado ao longo de 25 anos de trabalho.

“Foi libertador. Sabia que algo maior me esperava.”

Com disciplina financeira e o apoio da família, conseguiu atravessar o curso. “Eu já sabia quem era, com quem queria estar e onde queria viver. Essa estabilidade fez toda a diferença.”

Mais Calma, Menos Ansiedade

Em 2000, o Dr. Oliver Schirokauer era professor de Matemática quando três familiares foram diagnosticados com cancro. Sentiu que faltava apoio para ajudar as famílias a compreender e decidir perante informação médica complexa.

“Percebi que existia uma lacuna na assistência. Queria contribuir para a reduzir.”

Ingressou em Medicina aos 47 anos. Hoje, com 62, combina prática clínica com ensino e bioética.

Era o aluno mais velho da turma. Enquanto muitos colegas mais jovens estavam focados na competição e na construção de carreira académica, Oliver tinha um objetivo mais simples: ajudar a aproximar a linguagem médica da realidade dos doentes.

“Se tivesse entrado aos 20 anos, teria sido muito mais difícil do ponto de vista da saúde mental”, reconhece. “Teria sido mais ansioso, mais competitivo. A maturidade permitiu-me viver o curso com mais serenidade.”

O Momento Certo

Jen, Carl e Oliver partilham a convicção de que a experiência de vida não foi um obstáculo — foi uma vantagem.

Para eles, não estavam “atrasados”. Estavam prontos.

A idade pode mudar o percurso, mas não apaga a vocação. E, como mostram estas histórias, nunca é tarde para começar — desde que seja o momento certo.

Fonte: https://portugues.medscape.com/viewarticle/velho-demais-faculdade-medicina-esses-medicos-mostram-2025a100108c

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