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2026-10-07
A inteligência artificial aplicada à mamografia pode ter capacidade para identificar sinais associados ao cancro da mama vários anos antes de o diagnóstico ser feito pelos métodos habituais.
Um estudo retrospetivo realizado na Suécia analisou três sistemas comerciais de inteligência artificial usados como apoio à deteção em radiologia. Os resultados indicam que estes sistemas atribuíram pontuações de risco mais elevadas a mulheres que, anos mais tarde, viriam a ser diagnosticadas com cancro da mama.
Sinais identificados até seis anos antes
De acordo com o estudo, cerca de 20% dos casos de cancro da mama apresentavam alterações mamográficas que já eram visíveis para a inteligência artificial aproximadamente seis anos antes do diagnóstico.
A investigação incluiu 88.963 mamografias de 31.394 participantes, recolhidas ao longo de 10 anos. Os dados vieram da base Validation of Artificial Intelligence for Breast Imaging, que reúne exames de voluntárias de quatro regiões da Suécia.
Durante o período analisado, 12.072 participantes foram diagnosticadas com cancro da mama após avaliação por radiologistas.
Como os sistemas foram avaliados
Os investigadores aplicaram três sistemas comerciais de deteção assistida por inteligência artificial a mamografias realizadas entre janeiro de 2008 e abril de 2019.
Com uma especificidade de 90%, os sistemas conseguiram identificar potenciais sinais de cancro em até 19,7% das mulheres seis anos antes do diagnóstico registado. A percentagem aumentou para 25,2% quatro anos antes e para 39,3% dois anos antes do diagnóstico.
Estes resultados sugerem que, em alguns casos, a inteligência artificial consegue detetar alterações subtis nas imagens antes de estas serem consideradas suspeitas na prática clínica habitual.
Possível contributo para rastreios personalizados
As pontuações atribuídas pelos sistemas de inteligência artificial poderão ajudar os radiologistas a reconhecer sinais mamográficos precoces de possíveis cancros futuros.
Segundo os investigadores, acompanhar estas pontuações ao longo do tempo pode permitir compreender melhor quando surgem alterações detetáveis e identificar pessoas que possam beneficiar de maior vigilância.
Limitações do estudo
Apesar dos resultados promissores, o estudo foi retrospetivo. Isto significa que os investigadores analisaram exames antigos, não tendo testado a utilização da inteligência artificial em tempo real na prática clínica.
Outra limitação importante é que ainda não é possível afirmar com certeza se os sinais detetados pela inteligência artificial correspondem a sinais iniciais de cancro ou a marcadores de risco futuro.
Os autores sublinham também a necessidade de equilibrar a possibilidade de detetar cancro mais cedo com o risco de levar a exames ou procedimentos desnecessários em mulheres que não têm cancro.
O que poderá acontecer no futuro
Os resultados reforçam o potencial da inteligência artificial como ferramenta de apoio ao rastreio do cancro da mama, mas não indicam que esta deva substituir os radiologistas.
A utilização destes sistemas poderá, no futuro, ajudar a orientar a avaliação das mamografias e contribuir para estratégias de rastreio mais personalizadas, desde que novos estudos confirmem a sua utilidade e segurança em contexto clínico real.
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