Torne-se associado - Apoie esta causa nobre
No passado dia 5 de março de 2026, a Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, no Campus de Campolide, acolheu a conferência “Direitos Humanos das Mulheres: uma perspetiva interseccional e anti-colonial”, um encontro dedicado à reflexão sobre igualdade, migração e direitos fundamentais das mulheres no contexto contemporâneo.
A iniciativa reuniu especialistas, académicos e representantes de diversas organizações da sociedade civil para promover um debate aprofundado sobre as desigualdades estruturais que continuam a afetar mulheres em diferentes contextos sociais e geográficos.
Um debate sobre desigualdade, história e direitos
A conferência foi coorganizada pelo núcleo HeForShe UNLisboa, em parceria com a NOVA Refugee and Migration Clinic da Faculdade de Direito (NOVA School of Law), o Gabinete de Igualdade e Inclusão da NOVA e o Núcleo Feminista da FDUL.
Ao longo da tarde, os participantes refletiram sobre a realidade da migração no feminino, destacando que a experiência das mulheres migrantes não pode ser dissociada da história, das estruturas de poder e dos padrões globais de exclusão que continuam a moldar as sociedades.
Os painéis de especialistas abordaram ainda o impacto dos legados coloniais nas políticas de proteção atuais, bem como a discrepância que muitas vezes existe entre os princípios legais de proteção dos direitos humanos e a sua aplicação prática nos contextos migratórios.
A importância da responsabilidade institucional
A sessão de abertura contou com a intervenção do Reitor da Universidade NOVA de Lisboa, Professor Doutor Paulo Pereira, que recordou que muitos direitos considerados hoje adquiridos continuam, na realidade, a enfrentar ameaças e desafios significativos.
Também o Professor Doutor Frederico Cavazzini, Diretor do Gabinete de Igualdade e Inclusão da Reitoria, destacou a importância de analisar os direitos humanos à luz dos contextos históricos que os moldaram, sublinhando que as universidades, enquanto instituições públicas com responsabilidade social, não podem permanecer neutras perante desigualdades estruturais.
Segundo o responsável, a neutralidade institucional pode, muitas vezes, traduzir-se numa forma silenciosa de perpetuar o status quo.
A dimensão global da igualdade de género
A conferência contou ainda com a participação remota da Professora Doutora Mónica Ferro, Diretora do escritório de Londres do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que trouxe uma perspetiva internacional para o debate.
Durante a sua intervenção, destacou que, em 2026, as mulheres detêm apenas cerca de 64% dos direitos legais reconhecidos aos homens, evidenciando o ritmo ainda lento do progresso global na promoção da igualdade de género.
A especialista alertou ainda para o facto de que, em contextos de crise e conflito, as mulheres são frequentemente as primeiras a serem esquecidas, mas também muitas vezes as primeiras a assumir o papel de reconstrução das comunidades.
Cooperação e ação coletiva
A Professora Doutora Tatiana Morais, professora assistente da Faculdade de Direito da NOVA e coordenadora de advocacia da Clínica de Refugiados e Migração da NOVA, reforçou a necessidade urgente de promover coordenação institucional e ação coletiva.
Segundo a investigadora, a defesa dos direitos humanos exige a criação de espaços de cooperação entre instituições e organizações, capazes de garantir que os princípios democráticos e os direitos fundamentais sejam efetivamente respeitados.
Participação da Associação Amigas do Peito
A conferência incluiu também uma exposição de trabalhos de diversas ONG e associações, entre as quais a Associação Amigas do Peito, representada pela sua Presidente, Dra. Emília Vieira, e pela voluntária Maria Rosária Zacarias.
A presença da associação destacou a importância de considerar as desigualdades estruturais que afetam as mulheres também no acesso e no acompanhamento em saúde, incluindo no contexto da doença oncológica.
Uma reflexão necessária para o futuro
O encerramento da conferência esteve a cargo da Professora Doutora Margarida Lima Rego, Decana da Faculdade de Direito da NOVA, que sublinhou a responsabilidade ética e académica das universidades na promoção de um debate informado sobre temas como migração, desigualdade e direitos humanos das mulheres.
Eventos como este reforçam a importância do diálogo entre academia, sociedade civil e instituições públicas para promover uma reflexão crítica e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária.
VOLTARPretendo ser informado(a) por e-mail das vossas novidades
Associação Amigas do Peito
Somos uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos e de acordo com a nossa política de expansão, estamos atualmente disponíveis para receber quaisquer utentes, de quaisquer entidades, que necessitem do nosso apoio.
A nossa sede situa-se no recinto (Campus) do Hospital de Santa Maria, em frente da torre esquerda da fachada principal, junto à prumada de Neurologia.
Notícias