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5 formas de melhorar o acompanhamento de sobreviventes de cancro

2026-10-09

5 formas de melhorar o acompanhamento de sobreviventes de cancro

Cuidados após o tratamento do cancro: 5 estratégias essenciais para acompanhar sobreviventes, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.

Os avanços da oncologia melhoraram significativamente o prognóstico de muitos tipos de cancro nos últimos anos. A imunoterapia, os medicamentos dirigidos, os procedimentos cirúrgicos mais otimizados e as técnicas de radioterapia mais precisas permitem atualmente que muitos doentes vivam durante anos, ou mesmo por tempo indeterminado, após o diagnóstico.

Este progresso trouxe, no entanto, um novo desafio: muitos sobreviventes continuam a enfrentar consequências físicas, psicológicas e sociais muito depois de terminarem os tratamentos.

A American Society of Clinical Oncology (ASCO) considera atualmente esta fase como uma etapa distinta dos cuidados oncológicos, defendendo a necessidade de um acompanhamento estruturado e de longo prazo.

Nos cuidados de saúde em ambulatório, os médicos de cuidados de saúde primários desempenham um papel central, sendo frequentemente o primeiro ponto de contacto para sintomas e efeitos tardios que podem surgir meses ou até anos após o fim do tratamento.

1. Perguntar ativamente sobre os efeitos tardios do tratamento

Muitos dos efeitos a longo prazo do tratamento oncológico continuam a passar despercebidos na prática clínica.

Entre os sintomas mais frequentes encontram-se:

  • Fadiga;
  • Polineuropatia;
  • Alterações do sono;
  • Dor crónica;
  • Alterações cognitivas.

Estudos realizados mostram que estes sintomas podem persistir durante anos e comprometer significativamente a qualidade de vida.

Um dos desafios identificados é que muitos sobreviventes não referem espontaneamente estas queixas. Alguns encaram a fadiga ou as dificuldades de concentração como uma consequência inevitável da doença, enquanto outros evitam falar dos sintomas para não voltarem a sentir-se "doentes" após o tratamento.

Por esse motivo, os especialistas recomendam que, durante as consultas de seguimento, sejam abordados especificamente os efeitos tardios mais frequentes, incluindo questões relacionadas com:

  • Resistência física;
  • Alterações da sensibilidade;
  • Dor;
  • Falta de ar;
  • Sintomas cardíacos;
  • Problemas de memória e concentração.

2. Reconhecer o sofrimento psicossocial

O impacto psicológico pode persistir durante muitos anos após o tratamento, com  destaque para o medo de recorrência da doença, sintomas depressivos, alterações do sono e isolamento social podem afetar significativamente a qualidade de vida dos sobreviventes.

Uma revisão sistemática identificou o medo de recorrência como um dos problemas psicossociais mais frequentes e mais perturbadores nesta população.

As recomendações internacionais sobre cuidados aos sobreviventes defendem a realização regular de rastreio do sofrimento psicossocial.

Mesmo perguntas simples sobre:

  • Estado de humor;
  • Qualidade do sono;
  • Preocupações;
  • Stress familiar;
  • Rede de apoio social;

podem ajudar a identificar os doentes que necessitam de acompanhamento em psico-oncologia ou psicoterapia.

O período imediatamente após o fim dos tratamentos merece especial atenção, uma vez que muitas pessoas descrevem a transição entre os cuidados oncológicos intensivos e o regresso ao quotidiano como uma fase marcada pela incerteza e pela sensação de abandono.

3. Verificar o estado vacinal e otimizar a proteção contra infeções

Após o tratamento do cancro, a função imunitária e a capacidade de combater infeções podem permanecer comprometidas durante um período prolongado.

Para adultos com cancro, a ASCO publicou uma orientação específica que recomenda:

  • Avaliação sistemática do estado vacinal;
  • Integração da vacinação como parte dos cuidados de seguimento.

São particularmente importantes as vacinas contra:

  • Gripe;
  • COVID-19;
  • Doença pneumocócica;
  • Herpes zóster.

Relativamente à vacina da gripe, é referido que existe uma revisão Cochrane em adultos com cancro imunossuprimidos que concluiu que a vacinação é segura e que os dados observacionais apontam para menor mortalidade e melhores resultados relacionados com infeções.

Na prática clínica, recomenda-se:

  • Verificar o boletim vacinal;
  • Documentar vacinas em falta;
  • Dar preferência a vacinas inativadas;
  • Consultar a equipa de oncologia quando exista imunossupressão em curso ou recentemente concluída.

4. Prescrever exercício físico de forma específica

O exercício físico é atualmente uma das intervenções não farmacológicas mais estudadas no acompanhamento dos sobreviventes de cancro.

Diversos estudos demonstram benefícios em áreas como:

  • Fadiga;
  • Capacidade física;
  • Bem-estar mental;
  • Qualidade de vida.

Uma meta-análise publicada em 2023, incluiu 28 ensaios clínicos aleatorizados e 1.573 participantes, demonstrando melhorias significativas na fadiga relacionada com o cancro e na qualidade de vida através da prática de exercício.

A recomendação apresentada é:

  • Pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada;
  • Exercícios de fortalecimento muscular complementares;
  • Plano adaptado ao tipo de tumor, efeitos do tratamento, comorbilidades e tolerância individual.

Mesmo atividades de menor intensidade, como caminhadas regulares, ciclismo ou grupos de exercício dirigidos a doentes oncológicos, podem proporcionar benefícios relevantes.

O exercício deve ser encarado não apenas como um conselho de estilo de vida, mas como uma intervenção terapêutica baseada na evidência.

5. Coordenar o acompanhamento e desenvolver um plano de sobrevivência

Muitos sobreviventes de cancro são acompanhados simultaneamente por médicos de cuidados de saúde primários, oncologistas e outros especialistas.

À medida que aumenta o número de sobreviventes, cresce também a necessidade de coordenar o seguimento clínico, a prevenção e o tratamento dos efeitos tardios.

Os especialistas referem que cuidados de elevada qualidade exigem uma colaboração estruturada entre a oncologia e os cuidados de saúde primários.

Por esse motivo, a ASCO recomenda a elaboração de planos de sobrevivência, que devem incluir:

  • Informação sobre o diagnóstico;
  • Tratamentos realizados;
  • Possíveis efeitos tardios;
  • Exames de seguimento recomendados;
  • Medidas de prevenção;
  • Promoção da saúde.

O objetivo é melhorar a comunicação entre oncologistas, médicos de cuidados de saúde primários e doentes, facilitando a transição para um acompanhamento prolongado.

Estes planos podem melhorar a comunicação entre profissionais de saúde e ajudar os doentes a compreender melhor o seu acompanhamento, embora os benefícios dependam da consistência com que são implementados e integrados na prática clínica.

Os médicos de cuidados de saúde primários assumem frequentemente um papel coordenador neste processo, acompanhando os doentes durante muitos anos, monitorizando comorbilidades, vigiando possíveis efeitos tardios e garantindo que os exames de seguimento recomendados são realizados.

Conclusão

Os avanços da medicina significam que cada vez mais pessoas vivem durante muitos anos após um diagnóstico de cancro.

Como consequência, torna-se cada vez mais importante garantir um acompanhamento estruturado após o tratamento.

Questionar ativamente os sobreviventes sobre efeitos tardios, reconhecer o sofrimento psicossocial, verificar o estado vacinal, promover especificamente a atividade física e coordenar os cuidados de seguimento podem contribuir para melhorar a saúde e a qualidade de vida destes doentes.

A medicina oncológica não termina com a última sessão de quimioterapia, a cirurgia ou o último exame de imagem. Para muitos doentes, esse momento marca o início de uma nova fase, na qual os cuidados de saúde em ambulatório assumem um papel central.

Fonte: https://www.medscape.com/viewarticle/5-ways-improve-care-cancer-survivors-2026a1000ord

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