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2026-10-15
Os testes genéticos aos genes BRCA1 e BRCA2 são utilizados para identificar variantes associadas a um risco aumentado de cancro. No entanto, nem todos os testes apresentam um resultado claramente positivo ou negativo.
Um novo estudo de base populacional, publicado no JAMA Network Open, analisou o risco de cancro da mama e do ovário em mulheres com diferentes resultados nos testes BRCA. Os dados mostram que mulheres com uma variante de significado incerto (VUS) ou com um resultado negativo não informativo podem continuar a apresentar um risco de cancro da mama superior ao da população geral.
Neste estudo, um resultado negativo não informativo significava que não tinha sido identificada uma variante associada ao aumento do risco nos genes BRCA1 ou BRCA2, embora continuasse a existir uma elevada suspeita clínica devido à história pessoal e familiar de cancro.
Os investigadores salientam que o risco acrescido observado nestas mulheres poderá refletir precisamente os fatores de risco familiares e clínicos que inicialmente levaram à realização dos testes genéticos.
A situação é diferente quando existe uma mutação BRCA específica já conhecida numa família e o teste demonstra que a mulher não é portadora dessa mutação. Nestes casos, designados como resultados negativos preditivos, o risco observado foi semelhante ao da população geral.
Para compreender melhor estas diferenças, os investigadores realizaram um estudo retrospetivo que incluiu quase 16 mil mulheres submetidas a testes BRCA no Ontário, Canadá, entre 2007 e 2016.
A informação genética e a história familiar foram relacionadas com dados administrativos de saúde, tendo as participantes sido acompanhadas até setembro de 2024.
Durante um período mediano de acompanhamento de 11 anos, o risco cumulativo estimado de cancro da mama até aos 80 anos foi de:
Para comparação, o estudo refere um risco de cerca de 12% na população geral. Entre as portadoras de variantes patogénicas, o risco estimado foi de 85% para BRCA1 e 66% para BRCA2.
Os resultados mostraram também que a história familiar de cancro influencia significativamente o risco, mesmo quando o teste BRCA apresenta um resultado negativo não informativo.
Entre estas mulheres, a incidência cumulativa de cancro da mama foi de:
Entre as portadoras de variantes patogénicas BRCA1 ou BRCA2, os riscos foram ainda mais elevados: 56% sem familiares de primeiro grau afetados, 69% com um e 86% com dois ou mais.
Estes dados reforçam, segundo os autores, a importância de considerar a história familiar nas decisões relacionadas com estratégias de redução do risco.
Os investigadores não observaram um aumento do risco de cancro do ovário entre as mulheres com uma variante de significado incerto ou um resultado negativo não informativo.
Perante esta ausência de aumento observado, os autores consideram que as estratégias de redução do risco de cancro do ovário devem, de forma geral, permanecer reservadas às mulheres com variantes patogénicas confirmadas ou outras indicações estabelecidas.
De acordo com os autores, as mulheres cujo risco global de cancro da mama atinja os limiares estabelecidos para acompanhamento de alto risco poderão beneficiar de uma vigilância mais intensiva, incluindo ressonância magnética mamária anual.
Contudo, o número global de eventos de cancro observado no estudo foi demasiado baixo para determinar se outras estratégias de redução do risco, incluindo a cirurgia, seriam benéficas.
A principal conclusão é, assim, que um resultado BRCA inconclusivo ou negativo não informativo não significa necessariamente que o risco de cancro da mama seja igual ao da população geral. A história familiar e os restantes fatores de risco que motivaram a realização do teste continuam a ser relevantes.
Os autores defendem, por isso, que as decisões relativas à redução do risco devem ser individualizadas, considerando não apenas o resultado do teste genético, mas também a história familiar de cancro e o risco global de cada mulher.
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