O serviço voluntário nas instituições hospitalares é uma participação ativa, responsável e humanizada no sentido de promover a qualidade do acolhimento e o conforto dos doentes. O presente artigo tem por finalidade sensibilizar para a importância deste trabalho tão nobre em contexto hospitalar, assim como refletir sobre a perceção e sentimento a este compromisso que contribui para a transformação social.
Vamos deixar aqui 10 linhas orientadoras para a ação do/a voluntário/a:
1. Diálogo
O primeiro passo para que tudo ocorra bem é manter sempre o diálogo.
Uma escuta ativa atenta as necessidades do doente e em colaboração com os profissionais de saúde.
A proatividade é uma característica fundamental para um melhor resultado em qualquer atividade. O doente gosta de ver voluntários/as que se mostram atentos e proativos em relação às suas necessidades.
Quando nos tornamos voluntários/as, assumimos o compromisso de ajudar o outro. Isso inclui honrar os horários a que nos propusemos, ser pontuais e cumprir as tarefas da melhor forma possível, além de ajudar os doentes atenciosamente sempre que necessário.
4. Empatia
A empatia é muito importante para qualquer relação harmoniosa. É a capacidade de se colocar no lugar do outro e agir de forma solidária. Os doentes são seres humanos enfrentando os seus medos e buscando os seus sonhos. Então, coloque-se no lugar deles, que estando num hospital, está ansioso e emocionalmente frágil. A voluntária/o, por vezes, é a sua família no momento.
5. Disponibilidade
Mostre-se disponível. Desde o momento da entrada até ao dia da alta.
Ajude em funções diferentes, caso exista essa necessidade.
6. Atentos às questões culturais
Uma das maiores riquezas que temos no mundo é a cultura, e a variedade delas é o que torna tudo tão especial. As culturas mudam em cada bairro, cidade, estado ou país, desde vocabulário, gastronomia, lazer ou educação. Por isso, ao abraçar o voluntariado, tenha presente que pode ter doentes de culturas diferentes da sua e que isso precisa ser tratado com total respeito. Quando se trata de cultura, não tem a certa ou errada, são apenas diferentes e é preciso estar aberto a isso para aproveitar a experiência.
7. Respeito ao local
Um hospital é um ambiente onde muitas pessoas passam. Alguns ficam apenas por poucos dias, outros algumas semanas e há quem fique por meses. Seja por dias ou meses, aquele ambiente torna-se a residência dos doentes, por isso é preciso ter muito respeito pelo local. Manter os ambientes limpos e organizados, respeitar as regras, preservar as áreas comuns e, além disso, respeitar todos os profissionais que também estão lá, sempre prezando pela boa convivência.
Ser voluntário é realmente uma experiência única e que iremos recordar sempre com muito carinho. A oportunidade de conhecer doentes de outros países, troca de partilhas, conhecimentos, experiências, desenvolver novas capacidades são apenas algumas das recompensas dessa experiência. Os doentes reconhecem isso e gostam de ver no voluntário/a a vontade de viver essa experiência.
Ao ser voluntário/a vai doar o seu tempo, o seu carinho, a sua amizade e experienciar um sentimento de pertença a algo maior. Vai ter a oportunidade de conhecer outros voluntários e as suas histórias, desenvolver ou aperfeiçoar capacidades, aprender sobre a rotina de um projeto e abrir a mente para a economia colaborativa.
A maioria dos doentes não pedem que você seja fluente, mas que se comunique bem na linguagem do amor, e quem sabe não poderá ser um desafio muito aliciante.
Essas são apenas algumas reflexões da função de voluntário/a, que se pretende que seja divertida e proveitosa para todos os envolvidos.
Quem ainda não experienciou esta vivência pense em quão gratificante é ouvir: “muito obrigada, fez a diferença neste caminho, tornou menos doloroso”.
“Uma viagem de mil quilómetros começa com um único passo” - Lao Zi
Dr.ª Manuela Ribeiro
Psicóloga Clínica e Voluntária